Eu te desejo uma vida suportável.
foto leticia andrade - centro de ribeirão preto À minha irmã, no dia da passagem de seus anos e às dores físicas no meu punho dessa merda de vida contemporânea. Quando já vi era tarde demais . Essa rotina sempre tirava ela do seu controle habitual, que se regrava todo dia. Mas se treinou sozinha a mastigar e encher a pança quando dava, a fumar seu cigarro quando o filho não estava perto, pra não dar explicações e curtir sozinha sua condição medíocre. Arrumava as tranqueiras e pegava o ônibus das 5. Ela caminhava com dificuldade até seu ponto, que era na joão bonifácio com são sebastião, e ali restava o dia inteiro sentada e impassível, não precisava de fazer muito. Os DVDs se mostravam sozinhos e parava quem queria, não incomodava ninguém e ninguém dali perto, comerciantes da esquina ou clientes apressados sabiam seu nome. Naquele momento, eu queria cuidá-la com o carinho de quem cuida da própria mãe, levá-la pela mão, e pagar um café com churro de doce de lei...