teatro, minha paixão, meu ódio e minha morte

[pensamento, depoimento, quase confissão] ontem esse teatro, que tanto me ocupo, mente, corpo e futuro, pois pesquisa envolve a esperança na continuidade da arte, me matou. não sei explicar ou melhor tenho medo de confessar que estou exausta de tentar salvar o teatro que se deseja morto, não sei se você me entende, nem sei se quero me fazer entender tão objetivamente, mas dou alguns fatos para me tentar ser entendida um mínimo, pelo menos: desseseis anos na labuta, três grupos de teatro, e meu sangue já foi jorrado algumas vezes mas minhas mãos de nhanha, no frio de ouro preto, na loucura de grupos jovens, que se disputavam sem porquê e hoje bebem uma cerveja juntos, uma perna quebrada num trabalho de rua, por tirania do meu chefe, que Deus o tenha, mas me massacrava por ser mulher e o pior por fazer um trabalho justo. outra mão quebrada num salto do andaime maldito, literalmente, onde descobri o tempo certo de minha fiel secretaria trabalhadora, de meu parceiro de cena guer...